Entra ano, sai ano, e todo o mês de dezembro é a mesma ladainha:
a aterrorizante voz de mulher me fazendo a MESMA pergunta em tudo que é lugar
que eu vou. Entro no supermercado e lá vem a desgraçada... Vou almoçar no shopping
e lá está ela, acompanhada de seguidores felizes e empolgados com essa época do
ano. Ligo a TV para distrair um pouco e... DE NOVO! Abro o guarda-roupa e NÃÃÃÃÃÃO!
É aquela cabeluda maldita da Simone perguntando, mais uma
vez, o que é que eu fiz este ano. E mais uma vez eu não tenho nada de muito
legal para responder para ela. Não ganhei na Mega Sena, não conheci o Brad Pitt, não escrevi um livro, não plantei uma árvore, não tive um filho (cachorro, serve?) e meu nome ainda não foi pra calçada da fama.
“Então, é Natal... E o que você fez?”
Pô, filha, eu
trabalhei, eu fiquei mais velha, eu fiz academia, eu tomei uns porres, eu conheci umas pessoas, eu me
apaixonei, eu me desapaixonei, eu engordei, eu emagreci, eu fiquei doente...
Nada interessante demais, né? Não para sair contando para quem perguntar o que
eu fiz, pelo menos.
Taí a complicação desta época do ano: a gente começa a
revirar os últimos 11 meses e muitas vezes descobre que não fez nem metade do
que gostaria, e não aconteceu nem ¼ do que esperávamos. E aí bate aquela
frustração, aquele aperto, que não tem colo de Papai Noel nenhum que cure.
É procurando grandes conquistas, grandes realizações que
isso acontece. Nessas horas a gente esquece daqueles momentos aparentemente
bobos, mas que realmente valeram a pena. Daquele grande feito no trabalho, que
pode não ser o grande feito da vida de todos, mas que você se dedicou e saiu
satisfeito com o resultado... Daquele evento que reuniu os amigos queridos de
infância... Daquele abraço do pai que foi buscar na rodoviária... Daquela tarde
com a melhor amiga, sem “nada” para fazer, e com muito o que falar... Daquele cara que te fez sorrir que nem boba, sem nem ao menos estar por perto... Daquele
filme ridículo que você viu no cinema com o grande amigo, que valeu muitas
risadas... Daquele mendigo que queria te pagar um lanche do Subway... Daquele momento triste com o pessoal do trabalho, em que se
fortaleceram as verdadeiras amizades... Daquela balada de quinta-feira dançando
“Boys Don’t Cry” até o chão... Daquele vídeo de Arquivo Confidencial que os
amigos fizeram de surpresa, sem precisar de data especial nenhuma...
Pois é, Simone, se eu for contar tudo que eu fiz vou perder
uns dias por aqui. E você provavelmente vai achar que é coisa pouca, que é
bobeira, mas no final das contas, são essas bobeiras que fazem a vida valer a
pena. E o meu 2012, no final das contas, valeu. :)
