Um terapeuta me perguntou, dias atrás, qual era o contrário de amor. Não soube responder. “Não pode ser ódio, porque seria muito óbvio”, comentei. “O contrário do amor é o medo”.
Não consegui entender essa relação na hora. Mas, ontem, pensando em como tenho me sentido nos últimos meses, veio um estalo.
Há meses estou presa em um amor um tanto quanto obsessivo. Se é que é amor. É mais fácil pensar que é amor, é mais bonito pensar que é amor, mais poético. Mas será que não seria… medo?
Eu me prendi em um amor que não deu certo e, desde então, não consigo me abrir para outras situações. Não me interesso por outras pessoas. Quase não olho para outras pessoas. Isso por que queria estar com o dito cujo, ou porque tenho medo de começar do zero?
Certeza, certeza, não tenho como ter. Infelizmente não existe um medidor de amor. O que, aliás, seria muito mais útil que qualquer teste de fidelidade “a la João Kleber”. Mas, depois de tantas feridas, algumas ainda não bem cicatrizadas, desconfio que a chance de ser medo é altíssima.
E esse medo protege: tanto de tudo de ruim que poderia vir a acontecer, como do que poderia ser ótimo. Do que poderia ser inesquecível. Do que poderia ser o tal do verdadeiro amor. Se é que isso existe.
