Carnaval chegou e muita
gente este ano vai ter que adaptar seus planos de folia em virtude de
uma importante lei que foi reformulada há cerca de uma semana, e tem
a promessa de ser duramente aplicada de lá para diante: a Lei Seca –
tolerância zero.
Meus caros e minhas
caras, eu sou botequeira (não leiam rápido essa palavra para não
causar ruídos na comunicação) assumida, apaixonadíssima por
cerveja (Kaiser não é cerveja, só pra constar), baladeira sempre
que possível e... motorista. Ou seja, minha opinião é altamente
influenciada por essas circunstâncias. E querem saber o que eu acho?
Demorou! Quer dizer, a
tal da lei está em vigor, teoricamente, desde 2008, mas acho que
somente agora é que o negócio pegou de verdade, né? Aliás, quero
ver se essa fiscalização é só fogo de palha, às vésperas do
feriado mais alcoólico do país ou se realmente deslancha.
Eu, particularmente,
sou uma PÉSSIMA motorista. Odeio dar pano para manga para machista
confirmar teoria, mas sinceramente, eu como motorista sou uma ótima
vendedora de milho na praia. (PS para machistas: tenho amigas que são
ótimas motoristas, bem melhores que muitos amigos barbeiros).
Enfim, já perdi um
retrovisor do carro por encostar em um caminhão parado (eu estava de
ressaca, aliás). Já quase enfiei o carro em uma árvore por perder
o controle em uma descida com lombada em um dia de chuva. Meu carro
parece o carro do Wolverine, um risco em cada uma das laterais,
devido a manobras de alto risco (para os pilares) em garagens. Tenho certeza de que se eu fosse
avaliada por um psicólogo veicular (que tal essa especialidade?) ele
me diagnosticaria com anorexia veicular. Na minha visão, meu carro é
muito maior do que realmente é, e não tem capacidade de passar em
quase nenhum espaço. É por isso que sempre que estou ao lado de um
ônibus ou de um caminhão rezo todas as orações que vêm à minha
cabeça.
Isso tudo... sóbria.
Foram pouquíssimas as vezes que eu dirigi e bebi ao mesmo tempo, mas
pude notar uma diferença drástica: CARA, QUANDO EU BEBO EU DIRIJO
PRA CARALEEEO! Não tem obstáculo, não tem caminhão, não tem
amigo do lado segurando no puta merda e pedindo PELO AMOR DE DEUS, PARE ESSE CARRO, que me faça desacreditar que eu sou o Schumacher.
E não acontece só com
o carro: quem nunca bebeu e se sentiu a pessoa mais engraçada do
planeta? Quem nunca bebeu e teve certeza que canta melhor que o
cantor, num show do Elton John? Quem nunca bebeu e acreditou que a
cantada infalível faria o Brad Pitt largar a Angelina Jolie - e toda a
renca de crianças que eles criam - na hora? Quem nunca bebeu e pagou
rodadas de drinks pros amigos achando que tem a conta bancária do
Eike Batista? E outros zilhões de exemplos que eu poderia dar, mas
acho que vocês já sacaram (quantas moscas estão lendo, será?).
E é por isso que eu me
declaro totalmente a favor da Lei Seca, em sua versão extremamente
rígida e com fiscalização frequente. Isso porque ir para um bar de
táxi é tranquilo, deixar um amigo sem beber um dia é tranquilo (não sendo eu... brincadeira!),
trocar o boteco longe por um mais perto de casa e ir a pé é
tranquilo, organizar uma van para ir numa festa legal com vários
amigos é tranquilo e super mais divertido do que dividir a galera em
300 carros.
Isso porque a gente
manda ver nos drinks e perde o medo de furar semáforo, de
ultrapassar o limite de velocidade, de andar na contramão. A gente
perde o medo da polícia, das leis, das multas. Mas esquece que pode
cruzar com outro carro, com um casal de namorados voltando do cinema
e planejando o casamento; ou com dois velhinhos voltando do bingo,
felizes porque ganharam o melhor prêmio do dia; ou com um jovem que
está prestes a terminar a faculdade e cheio de sonhos na cabeça,
com pais orgulhosos aguardando em casa; ou com uma mãe voltando com
o filho de três anos que ficou por um bom tempo na UTI, e agora
finalmente volta para casa...
São muitas vidas,
muitas histórias, muitos sonhos para arriscar, por uma simples dose
de uma bebida qualquer...

