quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lei Seca – Soco na Cara da Imprudência


Carnaval chegou e muita gente este ano vai ter que adaptar seus planos de folia em virtude de uma importante lei que foi reformulada há cerca de uma semana, e tem a promessa de ser duramente aplicada de lá para diante: a Lei Seca – tolerância zero.
Meus caros e minhas caras, eu sou botequeira (não leiam rápido essa palavra para não causar ruídos na comunicação) assumida, apaixonadíssima por cerveja (Kaiser não é cerveja, só pra constar), baladeira sempre que possível e... motorista. Ou seja, minha opinião é altamente influenciada por essas circunstâncias. E querem saber o que eu acho?
Demorou! Quer dizer, a tal da lei está em vigor, teoricamente, desde 2008, mas acho que somente agora é que o negócio pegou de verdade, né? Aliás, quero ver se essa fiscalização é só fogo de palha, às vésperas do feriado mais alcoólico do país ou se realmente deslancha.
Eu, particularmente, sou uma PÉSSIMA motorista. Odeio dar pano para manga para machista confirmar  teoria, mas sinceramente, eu como motorista sou uma ótima vendedora de milho na praia. (PS para machistas: tenho amigas que são ótimas motoristas, bem melhores que muitos amigos barbeiros).



Enfim, já perdi um retrovisor do carro por encostar em um caminhão parado (eu estava de ressaca, aliás). Já quase enfiei o carro em uma árvore por perder o controle em uma descida com lombada em um dia de chuva. Meu carro parece o carro do Wolverine, um risco em cada uma das laterais, devido a manobras de alto risco (para os pilares) em garagens. Tenho certeza de que se eu fosse avaliada por um psicólogo veicular (que tal essa especialidade?) ele me diagnosticaria com anorexia veicular. Na minha visão, meu carro é muito maior do que realmente é, e não tem capacidade de passar em quase nenhum espaço. É por isso que sempre que estou ao lado de um ônibus ou de um caminhão rezo todas as orações que vêm à minha cabeça.
Isso tudo... sóbria. Foram pouquíssimas as vezes que eu dirigi e bebi ao mesmo tempo, mas pude notar uma diferença drástica: CARA, QUANDO EU BEBO EU DIRIJO PRA CARALEEEO! Não tem obstáculo, não tem caminhão, não tem amigo do lado segurando no puta merda e pedindo PELO AMOR DE DEUS, PARE ESSE CARRO, que me faça desacreditar que eu sou o Schumacher.
E não acontece só com o carro: quem nunca bebeu e se sentiu a pessoa mais engraçada do planeta? Quem nunca bebeu e teve certeza que canta melhor que o cantor, num show do Elton John? Quem nunca bebeu e acreditou que a cantada infalível faria o Brad Pitt largar a Angelina Jolie - e toda a renca de crianças que eles criam - na hora? Quem nunca bebeu e pagou rodadas de drinks pros amigos achando que tem a conta bancária do Eike Batista? E outros zilhões de exemplos que eu poderia dar, mas acho que vocês já sacaram (quantas moscas estão lendo, será?).
E é por isso que eu me declaro totalmente a favor da Lei Seca, em sua versão extremamente rígida e com fiscalização frequente. Isso porque ir para um bar de táxi é tranquilo, deixar um amigo sem beber um dia é tranquilo (não sendo eu... brincadeira!), trocar o boteco longe por um mais perto de casa e ir a pé é tranquilo, organizar uma van para ir numa festa legal com vários amigos é tranquilo e super mais divertido do que dividir a galera em 300 carros.
Isso porque a gente manda ver nos drinks e perde o medo de furar semáforo, de ultrapassar o limite de velocidade, de andar na contramão. A gente perde o medo da polícia, das leis, das multas. Mas esquece que pode cruzar com outro carro, com um casal de namorados voltando do cinema e planejando o casamento; ou com dois velhinhos voltando do bingo, felizes porque ganharam o melhor prêmio do dia; ou com um jovem que está prestes a terminar a faculdade e cheio de sonhos na cabeça, com pais orgulhosos aguardando em casa; ou com uma mãe voltando com o filho de três anos que ficou por um bom tempo na UTI, e agora finalmente volta para casa...
São muitas vidas, muitas histórias, muitos sonhos para arriscar, por uma simples dose de uma bebida qualquer...  

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pane no sistema


24 horas no dia, sendo:
  • 8 horas de sono
  • mínimo 1h de exercício físico
  • 8 horas do trabalho
  • 1h para as refeições (no meu caso um pouco menos, péssimo hábito de comer rápido e enquanto estou fazendo qualquer outra coisa)
  • 1h de lazer aleatório: jogos, livros, televisão, brincar com o animal de estimação, etc.
  • 1h de higiene (inclui banho, escovar os dentes no mínimo 3x ao dia por no mínimo 5 minutos, limpar a pele com adstringente, passar creme anti-idade, creme hidratante e mais alguns apetrechos aleatórios)
    Total: 20 horas.




Rotina básica inspirada nas regras sociais para ter corpo/saúde ideais, considerando que eu ainda não tenho filhos - condição que sem reduz dúvida as horas de sono, aumenta as de higiene (que passam a ser coletivas), aumenta as de lazer (que já não é mais tão lazer assim), e por aí vai.
Sobram quatro horas no meu dia “ideal”. Quatro malditas horas que eu tenho pra me informar sobre tudo que acontece na casa do meu vizinho, no meu prédio, no meu bairro, na minha cidade, na cidade dos meus amigos, no meu país, na China, na Malásia, no Azerbaijão, nos locais onde existem objetos voadores não identificados, e por aí vai. Quatro horas para entender tudo sobre política, economia, agronegócio, saúde, religião, cultura, astrologia, tecnologia, esportes, turismo e gastronomia. Quatro horas que percorrem dias, meses, anos, séculos e milênios passados e futuros. Quatro horas para pensar em construir uma família, adquirir um imóvel próprio, crescer profissionalmente, aumentar a renda, praticar voluntariado, aprender uma arte marcial, planejar cirurgias plásticas, e... MANTER A SANIDADE MENTAL.
Tragam-me os psicotrópicos, pois eu estou psicotropeçando nessa vida louca vida, vida breve. Vida de quatro horas. Vida de quatro, vida de cão.