Um terapeuta me perguntou, dias atrás, qual era o contrário de amor. Não soube responder. “Não pode ser ódio, porque seria muito óbvio”, comentei. “O contrário do amor é o medo”.
Não consegui entender essa relação na hora. Mas, ontem, pensando em como tenho me sentido nos últimos meses, veio um estalo.
Há meses estou presa em um amor um tanto quanto obsessivo. Se é que é amor. É mais fácil pensar que é amor, é mais bonito pensar que é amor, mais poético. Mas será que não seria… medo?
Eu me prendi em um amor que não deu certo e, desde então, não consigo me abrir para outras situações. Não me interesso por outras pessoas. Quase não olho para outras pessoas. Isso por que queria estar com o dito cujo, ou porque tenho medo de começar do zero?
Certeza, certeza, não tenho como ter. Infelizmente não existe um medidor de amor. O que, aliás, seria muito mais útil que qualquer teste de fidelidade “a la João Kleber”. Mas, depois de tantas feridas, algumas ainda não bem cicatrizadas, desconfio que a chance de ser medo é altíssima.
E esse medo protege: tanto de tudo de ruim que poderia vir a acontecer, como do que poderia ser ótimo. Do que poderia ser inesquecível. Do que poderia ser o tal do verdadeiro amor. Se é que isso existe.
quinta-feira, 15 de dezembro de 2016
quinta-feira, 30 de julho de 2015
A amiga do rabo quente
Quanto ao título, embora a amiga em questão fosse um pouco assanhada, não se refere a nenhuma parte do corpo dela, e sim a um objeto antigo. Porque, sim, o ano era 2004, mas a estudante tinha ganhado o tal do rabo quente da avó, que sentiu pena das dificuldades enfrentadas pela mocinha, que morava em pensionato. Para quem não conhece – eu também não fazia a mínima ideia que isso existia até então – o rabo quente é um aquecedor de água.
A avó, inocentemente, acreditava que a amiga ia usá-lo para fazer chá e café. Mal sabia...
17 anos, né? A gente quer ser rebelde e acha que fumar é “cool”. Só que nem isqueiro tem. E, poxa, descer três andares para pedir emprestado pra algum amigo não estava em cogitação, em um domingo frio. Por que não tentar acender com rabo quente, né? Pareceu uma boa ideia na hora.
Nem o caboclo pré-histórico que foi o primeiro a raspar as duas pedrinhas para fazer fogo teria se arriscado com aquela parafernália. Eu nem sei como aconteceu ao certo... Em um minuto estava observando a amiga, o cigarro e o rabo quente e... BUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUUM!
De tragada a estragada... a moça entrou em desespero. Correu para o banheiro, e a última coisa que deve ter visto foi que os estilhaços estavam no rosto e nos olhos, além da minha cara de pânico atrás. Desesperadas, corremos para o hospital.
Momentos de muita aflição, horror e pensamentos do tipo "como vamos explicar isso para os nossos pais?". Enquanto isso, a enfermeira que lavava os olhos da amiga tentava nos acalmar: "já vi cada coisa aqui... já teve gente que chegou com feijões nos olhos, depois que a panela de pressão explodiu". Se eu já tinha medo da tal da panela, imagine depois desse relato...
(eu cozinhando depois)
A amiga era daquelas de parar o quarteirão. Linda que só ela. Eis que o médico que a atendeu veio com a aterrorizante notícia de que TALVEZ com uma cirurgia plástica o rosto dela voltasse ao normal. Coitada. Eu já comecei a pensar que teria que aprender a conviver com a versão feminina do Fred Krueger, mas apelei a todos os santos e fiz milhares de orações, jurando que jamais colocaria um cigarro de novo na boca se ela se recuperasse.
Foram algumas semanas frequentando o cursinho de óculos de sol, enquanto eu fazia o papel de cão-guia. Se eu honrava a promessa e passava longe dos cigarros, a amiga tinha a audácia de acendê-los na minha frente (e com a minha ajuda, ainda por cima).
Surpreendentemente, pouquíssimo tempo depois,a sortuda (ou devia dizer rabuda?) estava mais bonita do que antes, sem necessidade nenhuma de intervenção do Ivo Pitanguy ou de qualquer outro cirurgião... Mas chazinho, agora,só na chaleira...
terça-feira, 9 de dezembro de 2014
O que aprendi com Carla Perez
Ter vontade é mais importante do que ter habilidade.
Li a frase, em inglês, estampada na regata de uma garota ontem no parque. Ficou martelando o dia todo na minha cabeça. Pensei em quantas coisas eu realmente deixei de tentar por acreditar que eu seria incapaz.
Mas aí recordei de um episódio em que a vontade foi maior. E o vexame posterior também. Faltou a tal habilidade. Ao menos para seguir em frente meu projeto de... Globeleza?
Não sei exatamente o que eu tinha em mente. Mas o fato é, ser brasileira nos liga a um estereótipo de gingado e dança, particularmente o samba. Bem, estereótipo, no meu caso, na prática vira ESTE... Ó O TIPO (reação de quem flagra meu samba no pé, e no restante do corpo - que poderia muito bem ser descrito como uma mistura de bonecão do posto com Kuduro, com traços de “Ah, Lelek Lek”).
Quando eu tinha uns 8, 9 anos, a onda do momento - e o martírio dos meus pais - era o É o Tchan. Depois de muito errar com a dança da bundinha, decidi tentar aprender a “sambar” com a musa da vez: Carla Perez. Foram muitas horas de observação, até eu chegar à brilhante conclusão de que não era tão difícil assim, bastava fazer um 8 com os pés. Tipo um círculo por lado de cada vez. Certo. Deve ter sido um observador secreto das minhas práticas que criou a expressão “8 ou 80“.
Devo ter perdido - além da cabeça - uns milhões de calorias nos “ensaios”. E olha, eu realmente acreditava que estava arrasando.
Estava tudo bem enquanto as coreografias eram em casa, afinal, entre quatro paredes tudo é permitido, não? Porém, eu ousei. Ultrapassei as barreiras das paredes de casa e levei o gingado (cóóóóf) para os carnavais da vida, para os sambões do Floresta Clube, para qualquer lugar em que tocasse um pagodinho, um axé ou qualquer ritmo que desse trela. Faço um pedido público de desculpas a quem foi obrigado a assistir a tamanha vergonha alheia. Mas não posso dizer que não me diverti...
Hoje, perdi a coragem e fingi ter esquecido o tal do 8. Se toca um sambinha em alguma festa, fico tímida, apenas observando. Pelo menos até o terceiro copo de cerveja...
Mas, nesse meio tempo, descobri um grande talento: ser cover das dançarinas do Faustão. E o melhor de tudo é que dá para dançar qualquer ritmo. Um dia ainda posto um vídeo da façanha (depois dos três copinhos).
segunda-feira, 1 de dezembro de 2014
Fúria em dois sapatos
Quem pensa que deixar o carro na garagem e ir a pé para o trabalho significar evitar congestionamento está completamente enganado.
Pelo menos no centro de Curitiba.
Quem tem que passar pelo calçadão da XV de Novembro, especialmente em pleno horário do almoço, sabe do que estou falando. O trânsito está por ali. Manobras arriscadas, ultrapassagens, colisões... de pedestres.
Foto: Luiz Costa/SMCS
Ainda não existem guardas para supervisionar toda a loucura que acontece entre os caminhadores, então são olhares e resmungos que ditam as leis do tráfego em dois sapatos.
Dá para tentar arriscar de andar na contramão, mas é preciso ser firme e ignorar todos os olhares de reprovação. Eu não aguento, então o jeito é esperar o momento certo de ultrapassar. Mas ai de mim se dou uma trombada na senhora nervosa que vem no outro sentido...
Trombadas. Também fazem parte do dia-a-dia perigoso de quem enfrenta o vai e vem dos andantes. Assim como nos filmes, às vezes rola aquela batida frontal, que faz com que você derrube bolsa e o que mais tiver em mãos (ainda existe o risco de a bolsa abrir e, claro, caírem objetos constrangedores, tipo absorvente, embalagens de chocolate, etc.)... Na hora de levantar, você levanta o rosto e dá de frente com o Reinaldo Gianecchini... só que do avesso. É, na vida real esses acidentes são bem menos românticos.
Falando em romance, caminhar pelo centro em horários de pico exige algumas habilidades que se assemelham aos dribles do futebol. É quando você está indo de encontro a uma pessoa, percebe que vai trombar, a pessoa também, vai desviar e... ela vai para o mesmo lado. Aí você tenta ir para o outro e... ela também. Nisso foram 20 e tantos segundos - extremamente importantes para quem está atrasado. Aí é preciso engatar a quinta marcha, apontar para a fé e andar - rápido, mas muito rápido, para recuperar o precioso tempo perdido.
E olha que ainda nem comentei nada sobre os dias de chuva e as leis das marquises... Fica para uma próxima.
quinta-feira, 19 de junho de 2014
Pressão
Em mais um desses passeios virtuais ocasionais, eis que recordo que eu tenho um tal de blog e resolvo dar uma passadinha para dar um alô. E como todo bom reencontro deve ser marcado por uma trilha sonora, logo vem à cabeça a paródia:
"E no meio da internet eu encontrei você. Entre tanto blog chato e sem nenhuma graça, você veio. E eu que pensava que não ia mais postar, nunca mais na vidaaa"
Falta tempo, sobra ideia. Falta coragem, sobra vontade.
O fato é que não lido bem com a pressão. Nem com a pressão baixa, nem com a depressão, e nem com a maldita panela de pressão. Desde que uma enfermeira contou sobre uma paciente que chegou ao hospital toda queimada, ainda com os feijões no rosto, então...
Fugindo dessa pressão, fico com a pressa. De escrever qualquer coisa para aliviar essa vontade de escrever tudo.
quarta-feira, 9 de outubro de 2013
Eterna procura
Fazia um bom tempo que eu não a encontrava.
Não que eu não tivesse tentado. Muito pelo contrário.
Embora eu não tivesse certeza de onde ela estaria, dei início a uma busca desenfreada em todos os lugares. Em todas as coisas. Em todas as pessoas.
E nada. Nem sinal.
Sentia falta dela, de tudo o que ela me proporcionava, do jeito que ela fazia eu me sentir. Precisava me sentir assim de novo.
A ânsia, a agonia, o desespero de procurar, procurar e não achar só faziam com que eu me sentisse pior.
Até que desisti e aceitei que talvez ela tivesse sido só uma ilusão. Ela nunca foi minha. Eu nunca mais a encontraria. Eu nunca mais me sentiria daquele jeito.
E assim, conformada, voltei a minha rotina, aos meus afazeres, aos meus amigos.
Foi aí que eu a reencontrei. Quando eu menos esperava.
Mas ela não era do jeito que eu a conhecia antes. Estava bem mais tranquila, mais serena, mais tímida, mais madura. Eu só soube que era ela mesma pela sensação. Só ela fazia eu me sentir daquele jeito.
A felicidade tinha voltado. Com uma cara totalmente diferente.
Porque felicidade não precisa ser escandalosa. Felicidade pode vir simplesmente da falta de coisas ruins. Da paz.
Não que eu não tivesse tentado. Muito pelo contrário.
Embora eu não tivesse certeza de onde ela estaria, dei início a uma busca desenfreada em todos os lugares. Em todas as coisas. Em todas as pessoas.
E nada. Nem sinal.
Sentia falta dela, de tudo o que ela me proporcionava, do jeito que ela fazia eu me sentir. Precisava me sentir assim de novo.
A ânsia, a agonia, o desespero de procurar, procurar e não achar só faziam com que eu me sentisse pior.
Até que desisti e aceitei que talvez ela tivesse sido só uma ilusão. Ela nunca foi minha. Eu nunca mais a encontraria. Eu nunca mais me sentiria daquele jeito.
E assim, conformada, voltei a minha rotina, aos meus afazeres, aos meus amigos.
Foi aí que eu a reencontrei. Quando eu menos esperava.
Mas ela não era do jeito que eu a conhecia antes. Estava bem mais tranquila, mais serena, mais tímida, mais madura. Eu só soube que era ela mesma pela sensação. Só ela fazia eu me sentir daquele jeito.
A felicidade tinha voltado. Com uma cara totalmente diferente.
Porque felicidade não precisa ser escandalosa. Felicidade pode vir simplesmente da falta de coisas ruins. Da paz.
Procurar demais às vezes a afasta. E nem sempre a gente a reconhece.
Mas é preciso ficar atento para que, quando ela estiver ali, mesmo que quietinha, agarrá-la. Valorizá-la. Pra que ela permaneça o máximo de tempo possível.
Mas é preciso ficar atento para que, quando ela estiver ali, mesmo que quietinha, agarrá-la. Valorizá-la. Pra que ela permaneça o máximo de tempo possível.

quinta-feira, 2 de maio de 2013
Na prisão
Foram anos de sofrimento movido por um sentimento que alguns chamariam de platônico. Eu chamo de plutônico; afinal, amor como esse deve ser coisa de outro planeta.
Travei por muito tempo uma batalha contra meu próprio ego, que não aceitava a sua indiferença. Dei uma de maratonista, correndo atrás de qualquer esmola de atenção que você pudesse oferecer.
Anos passaram e o amor que eu esperava morrer de velhice ou de cansaço persistiu. O desespero de te ter junto a mim voltou, desta vez ainda mais forte.
Foi aí que eu tive a ideia. Uma solução para você não ter outra saída a não ser me amar. Foi então que eu te prendi.
Desta vez você não teve escolha e estar ao meu lado será seu destino. Seus olhos não terão mais a chance de ver outras mulheres. Suas mãos não poderão tocar outros corpos. Seu tempo é todo meu, sua vida é toda minha.
E, quem diria: preso aqui comigo encontrastes a felicidade. Tudo que precisavas era uma chance para perceber que eu poderia te fazer o homem mais feliz do universo.
Seu sorriso nunca foi tão belo, seu olhar nunca brilhou tanto. Dos seus lábios sopram as palavras que há tanto tempo eu queria escutar.
Preso aqui comigo estamos juntos. Preso, você me ama. Preso em meu pensamento.
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