segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Fúria em dois sapatos


Quem pensa que deixar o carro na garagem e ir a pé para o trabalho significar evitar congestionamento está completamente enganado.
Pelo menos no centro de Curitiba.
Quem tem que passar pelo calçadão da XV de Novembro, especialmente em pleno horário do almoço, sabe do que estou falando. O trânsito está por ali. Manobras arriscadas, ultrapassagens, colisões... de pedestres.

Foto: Luiz Costa/SMCS

Ainda não existem guardas para supervisionar toda a loucura que acontece entre os caminhadores, então são olhares e resmungos que ditam as leis do tráfego em dois sapatos. 
Eu certamente já teria levado multas por excesso de velocidade, caso fossem aplicadas. Sair de casa em cima do laço todos os dias me obriga a fazer manobras arriscadas nas calçadas. Ainda mais quando disputo o espaço com um casalzinho apaixonado de mãos dadas, que tem como única preocupação as roupas da vitrine de uma loja...
Dá para tentar arriscar de andar na contramão, mas é preciso ser firme e ignorar todos os olhares de reprovação. Eu não aguento, então o jeito é esperar o momento certo de ultrapassar. Mas ai de mim se dou uma trombada na senhora nervosa que vem no outro sentido...
Trombadas. Também fazem parte do dia-a-dia perigoso de quem enfrenta o vai e vem dos andantes. Assim como nos filmes, às vezes rola aquela batida frontal, que faz com que você derrube bolsa e o que mais tiver em mãos (ainda existe o risco de a bolsa abrir e, claro, caírem objetos constrangedores, tipo absorvente, embalagens de chocolate, etc.)... Na hora de levantar, você levanta o rosto e dá de frente com o Reinaldo Gianecchini... só que do avesso. É, na vida real esses acidentes são bem menos românticos.
Falando em romance, caminhar pelo centro em horários de pico exige algumas habilidades que se assemelham aos dribles do futebol. É quando você está indo de encontro a uma pessoa, percebe que vai trombar, a pessoa também, vai desviar e... ela vai para o mesmo lado. Aí você tenta ir para o outro e... ela também. Nisso foram 20 e tantos segundos - extremamente importantes para quem está atrasado. Aí é preciso engatar a quinta marcha, apontar para a fé e andar - rápido, mas muito rápido, para recuperar o precioso tempo perdido.
E olha que ainda nem comentei nada sobre os dias de chuva e as leis das marquises... Fica para uma próxima.

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