quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Eterna procura



Fazia um bom tempo que eu não a encontrava.
Não que eu não tivesse tentado. Muito pelo contrário.
Embora eu não tivesse certeza de onde ela estaria, dei início a uma busca desenfreada em todos os lugares. Em todas as coisas. Em todas as pessoas.
E nada. Nem sinal.
Sentia falta dela, de tudo o que ela me proporcionava, do jeito que ela fazia eu me sentir. Precisava me sentir assim de novo. 
A ânsia, a agonia, o desespero de procurar, procurar e não achar só faziam com que eu me sentisse pior.
Até que desisti e aceitei que talvez ela tivesse sido só uma ilusão. Ela nunca foi minha. Eu nunca mais a encontraria. Eu nunca mais me sentiria daquele jeito.
E assim, conformada, voltei a minha rotina, aos meus afazeres, aos meus amigos.
Foi aí que eu a reencontrei. Quando eu menos esperava.
Mas ela não era do jeito que eu a conhecia antes. Estava bem mais tranquila, mais serena, mais tímida, mais madura. Eu só soube que era ela mesma pela sensação. Só ela fazia eu me sentir daquele jeito. 
A felicidade tinha voltado. Com uma cara totalmente diferente.
Porque felicidade não precisa ser escandalosa. Felicidade pode vir simplesmente da falta de coisas ruins. Da paz.
Procurar demais às vezes a afasta. E nem sempre a gente a reconhece.
Mas é preciso ficar atento para que, quando ela estiver ali, mesmo que quietinha, agarrá-la. Valorizá-la. Pra que ela permaneça o máximo de tempo possível. 

quinta-feira, 2 de maio de 2013

Na prisão




Foram anos de sofrimento movido por um sentimento que alguns chamariam de platônico. Eu chamo de plutônico; afinal, amor como esse deve ser coisa de outro planeta.
Travei por muito tempo uma batalha contra meu próprio ego, que não aceitava a sua indiferença. Dei uma de maratonista, correndo atrás de qualquer esmola de atenção que você pudesse oferecer.
Anos passaram e o amor que eu esperava morrer de velhice ou de cansaço persistiu. O desespero de te ter junto a mim voltou, desta vez ainda mais forte.
Foi aí que eu tive a ideia. Uma solução para você não ter outra saída a não ser me amar. Foi então que eu te prendi.
Desta vez você não teve escolha e estar ao meu lado será seu destino. Seus olhos não terão mais a chance de ver outras mulheres. Suas mãos não poderão tocar outros corpos. Seu tempo é todo meu, sua vida é toda minha.
E, quem diria: preso aqui comigo encontrastes a felicidade. Tudo que precisavas era uma chance para perceber que eu poderia te fazer o homem mais feliz do universo.
Seu sorriso nunca foi tão belo, seu olhar nunca brilhou tanto. Dos seus lábios sopram as palavras que há tanto tempo eu queria escutar.
Preso aqui comigo estamos juntos. Preso, você me ama. Preso em meu pensamento.

segunda-feira, 22 de abril de 2013

Presente




E aí você me pede para estar presente.
Não, não exija além do que posso. Ir, eu até vou. Mas estar presente, não dá.
Há muito tempo eu não fico presente.
Eu fico passado, vivendo de lembranças. Sentindo falta de tudo que já fui, de todos que passaram, de um tempo melhor.
Ou então eu fico futuro. Pensando no amanhã, no próximo ano, na próxima vida. Querendo ser mais – mais feliz, mais plena, mais presente.
Se nem mesmo na chamada da escola eu era presente. Eu era presunto, era presidente, era aqui, era eu!
Talvez você queira outro tipo de presente. Talvez você queira que eu esteja ali como um brinde, como uma surpresa, como um prêmio. Falharei outra vez.
Sou esse livro aberto, revelado, que não vai te surpreender. Não sou seu prêmio, não sou sua. Um brinde ao presente, que eu não estou e você nunca esteve.

quarta-feira, 13 de março de 2013

Facebook e a sujeira debaixo do tapete

O Facebook por vezes se assemelha àquelas vezes em que recebemos uma visita por obrigação social. Aí a gente resolve limpar toda a casa, jogar a bagunça dentro dos armários e a sujeira pra baixo do tapete. Usamos a louça das ocasiões especiais, fingindo ser a de uso cotidiano. 
Cozinhamos a comida mais requintada - comprada com uma quantia que vai fazer falta no final do mês - como se fosse nosso feijão e arroz de todos os dias. Enchemos a casa de fotografias alegres. Vestimos a melhor roupa, passamos horas fazendo maquiagem para disfarçar o cansaço das horas de trabalho e os sinais da idade, e usamos o perfume reservado para datas especiais, pois é muito caro para "desperdiçar". Abraçamos e beijamos o cônjuge em frente aos visitantes como se fosse o maior amor do mundo, mesmo que dali a poucas horas um vá dormir aos prantos no sofá, depois de ouvir ofensas dolorosas. 
É essa mania de querer ser o que não é, de querer ser melhor que o outro, de não aceitar o que se é de verdade, de se comparar com o outro o tempo o inteiro, que faz de boa parte de nós frustrado. Não que a gente precise chorar as pitangas o tempo inteiro, mas precisamos aceitar que o pouco que temos muitas vezes é o suficiente para sermos felizes.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2013

Lei Seca – Soco na Cara da Imprudência


Carnaval chegou e muita gente este ano vai ter que adaptar seus planos de folia em virtude de uma importante lei que foi reformulada há cerca de uma semana, e tem a promessa de ser duramente aplicada de lá para diante: a Lei Seca – tolerância zero.
Meus caros e minhas caras, eu sou botequeira (não leiam rápido essa palavra para não causar ruídos na comunicação) assumida, apaixonadíssima por cerveja (Kaiser não é cerveja, só pra constar), baladeira sempre que possível e... motorista. Ou seja, minha opinião é altamente influenciada por essas circunstâncias. E querem saber o que eu acho?
Demorou! Quer dizer, a tal da lei está em vigor, teoricamente, desde 2008, mas acho que somente agora é que o negócio pegou de verdade, né? Aliás, quero ver se essa fiscalização é só fogo de palha, às vésperas do feriado mais alcoólico do país ou se realmente deslancha.
Eu, particularmente, sou uma PÉSSIMA motorista. Odeio dar pano para manga para machista confirmar  teoria, mas sinceramente, eu como motorista sou uma ótima vendedora de milho na praia. (PS para machistas: tenho amigas que são ótimas motoristas, bem melhores que muitos amigos barbeiros).



Enfim, já perdi um retrovisor do carro por encostar em um caminhão parado (eu estava de ressaca, aliás). Já quase enfiei o carro em uma árvore por perder o controle em uma descida com lombada em um dia de chuva. Meu carro parece o carro do Wolverine, um risco em cada uma das laterais, devido a manobras de alto risco (para os pilares) em garagens. Tenho certeza de que se eu fosse avaliada por um psicólogo veicular (que tal essa especialidade?) ele me diagnosticaria com anorexia veicular. Na minha visão, meu carro é muito maior do que realmente é, e não tem capacidade de passar em quase nenhum espaço. É por isso que sempre que estou ao lado de um ônibus ou de um caminhão rezo todas as orações que vêm à minha cabeça.
Isso tudo... sóbria. Foram pouquíssimas as vezes que eu dirigi e bebi ao mesmo tempo, mas pude notar uma diferença drástica: CARA, QUANDO EU BEBO EU DIRIJO PRA CARALEEEO! Não tem obstáculo, não tem caminhão, não tem amigo do lado segurando no puta merda e pedindo PELO AMOR DE DEUS, PARE ESSE CARRO, que me faça desacreditar que eu sou o Schumacher.
E não acontece só com o carro: quem nunca bebeu e se sentiu a pessoa mais engraçada do planeta? Quem nunca bebeu e teve certeza que canta melhor que o cantor, num show do Elton John? Quem nunca bebeu e acreditou que a cantada infalível faria o Brad Pitt largar a Angelina Jolie - e toda a renca de crianças que eles criam - na hora? Quem nunca bebeu e pagou rodadas de drinks pros amigos achando que tem a conta bancária do Eike Batista? E outros zilhões de exemplos que eu poderia dar, mas acho que vocês já sacaram (quantas moscas estão lendo, será?).
E é por isso que eu me declaro totalmente a favor da Lei Seca, em sua versão extremamente rígida e com fiscalização frequente. Isso porque ir para um bar de táxi é tranquilo, deixar um amigo sem beber um dia é tranquilo (não sendo eu... brincadeira!), trocar o boteco longe por um mais perto de casa e ir a pé é tranquilo, organizar uma van para ir numa festa legal com vários amigos é tranquilo e super mais divertido do que dividir a galera em 300 carros.
Isso porque a gente manda ver nos drinks e perde o medo de furar semáforo, de ultrapassar o limite de velocidade, de andar na contramão. A gente perde o medo da polícia, das leis, das multas. Mas esquece que pode cruzar com outro carro, com um casal de namorados voltando do cinema e planejando o casamento; ou com dois velhinhos voltando do bingo, felizes porque ganharam o melhor prêmio do dia; ou com um jovem que está prestes a terminar a faculdade e cheio de sonhos na cabeça, com pais orgulhosos aguardando em casa; ou com uma mãe voltando com o filho de três anos que ficou por um bom tempo na UTI, e agora finalmente volta para casa...
São muitas vidas, muitas histórias, muitos sonhos para arriscar, por uma simples dose de uma bebida qualquer...  

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013

Pane no sistema


24 horas no dia, sendo:
  • 8 horas de sono
  • mínimo 1h de exercício físico
  • 8 horas do trabalho
  • 1h para as refeições (no meu caso um pouco menos, péssimo hábito de comer rápido e enquanto estou fazendo qualquer outra coisa)
  • 1h de lazer aleatório: jogos, livros, televisão, brincar com o animal de estimação, etc.
  • 1h de higiene (inclui banho, escovar os dentes no mínimo 3x ao dia por no mínimo 5 minutos, limpar a pele com adstringente, passar creme anti-idade, creme hidratante e mais alguns apetrechos aleatórios)
    Total: 20 horas.




Rotina básica inspirada nas regras sociais para ter corpo/saúde ideais, considerando que eu ainda não tenho filhos - condição que sem reduz dúvida as horas de sono, aumenta as de higiene (que passam a ser coletivas), aumenta as de lazer (que já não é mais tão lazer assim), e por aí vai.
Sobram quatro horas no meu dia “ideal”. Quatro malditas horas que eu tenho pra me informar sobre tudo que acontece na casa do meu vizinho, no meu prédio, no meu bairro, na minha cidade, na cidade dos meus amigos, no meu país, na China, na Malásia, no Azerbaijão, nos locais onde existem objetos voadores não identificados, e por aí vai. Quatro horas para entender tudo sobre política, economia, agronegócio, saúde, religião, cultura, astrologia, tecnologia, esportes, turismo e gastronomia. Quatro horas que percorrem dias, meses, anos, séculos e milênios passados e futuros. Quatro horas para pensar em construir uma família, adquirir um imóvel próprio, crescer profissionalmente, aumentar a renda, praticar voluntariado, aprender uma arte marcial, planejar cirurgias plásticas, e... MANTER A SANIDADE MENTAL.
Tragam-me os psicotrópicos, pois eu estou psicotropeçando nessa vida louca vida, vida breve. Vida de quatro horas. Vida de quatro, vida de cão.  

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

Cu, rios, idade.





CU:
Palavrão não é muito comigo não. Tenho meus dias. Palavrão é sagrado - se desperdiçado vira palavrinha de novo. Tem que ser usado com moderação. Só que não dá pra negar que tem dias que a vontade de mandar tomar no ** é maior do que a elegância. Até porque tem gente que parece que pede, implora, suplica e passa 10 vezes na fila por isso, né? Paciência tem limite.
RIOS:
Estou a ver navios nessa de ficar desempregada. A verdade é que a gente reclama, reclama, reclama, mas nada pior do que assistir um Fantástico até o final, sem preocupação nenhuma com horário e sem aquela angústia da chegada da segunda-feira. Acordar na segunda-feira e não ter nada para fazer pode até ser ótimo, se você receber para isso. E não reclamar de uma segunda-feira te faz automaticamente um ser excluído da sociedade.
Confesso que eu achava que uma das piores coisas do mundo era esperar aquela ligação no dia seguinte (do carinha da noite anterior). Aquele negócio de ficar olhando o celular de 2 em 2 minutos, ligar do telefone de casa pra ver se toca, botar o celular dentro da geladeira pra ver se não é tudo uma pegadinha de Murphy, mandar mensagem pra Deus e o mundo pra se distrair e... NADA. Mas olha, esperar ligação de emprego é um milhão de vezes pior.
IDADE:
2013 chegou e neste ano eu completo 26 aninhos de idade, o que significa que eu fico mais próxima da cada dos 30 do que dos 20. (:OOOO) E os sinais já começaram: desde sexta-feira passada eu tô travada. Se fosse de bebedeira não seria novidade nenhuma, mas desta vez foi a coluna que resolveu pedir um tempo. E cá estou em estado semi-vegetativo curtindo uns dias besuntada no Gelol. Ao menos, o cheirinho é agradável.