quarta-feira, 13 de março de 2013

Facebook e a sujeira debaixo do tapete

O Facebook por vezes se assemelha àquelas vezes em que recebemos uma visita por obrigação social. Aí a gente resolve limpar toda a casa, jogar a bagunça dentro dos armários e a sujeira pra baixo do tapete. Usamos a louça das ocasiões especiais, fingindo ser a de uso cotidiano. 
Cozinhamos a comida mais requintada - comprada com uma quantia que vai fazer falta no final do mês - como se fosse nosso feijão e arroz de todos os dias. Enchemos a casa de fotografias alegres. Vestimos a melhor roupa, passamos horas fazendo maquiagem para disfarçar o cansaço das horas de trabalho e os sinais da idade, e usamos o perfume reservado para datas especiais, pois é muito caro para "desperdiçar". Abraçamos e beijamos o cônjuge em frente aos visitantes como se fosse o maior amor do mundo, mesmo que dali a poucas horas um vá dormir aos prantos no sofá, depois de ouvir ofensas dolorosas. 
É essa mania de querer ser o que não é, de querer ser melhor que o outro, de não aceitar o que se é de verdade, de se comparar com o outro o tempo o inteiro, que faz de boa parte de nós frustrado. Não que a gente precise chorar as pitangas o tempo inteiro, mas precisamos aceitar que o pouco que temos muitas vezes é o suficiente para sermos felizes.

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